no samba

Lá por dentro de si podia ouvir um samba daqueles que sempre lhe davam vontade de dançar. Nem que fosse só com os dedos. Samba que se começasse a cantar, fazia um arrepio subir dos pés até a pontinha última de um fio de cabelo. Samba que lhe constituía, lhe alimentava, lhe fazia bailar o corpo e sorrir a alma.
Era do samba. A ele pertencia, desde sempre. Desde o colo do pai. Sua infância tinha sido de confete e serpentina. A vida toda seus pés souberam, como ninguém, obedecer àquele ritmo como se por ele fossem possuídos e, quando a música parasse, fossem devolvidos à dona.
Aprendera a entender o samba em sua alegria triste como muitas vezes sentiu que era por ele, e só por ele, compreendida em sua tristeza alegre. Estava de volta ao samba. E seu coração cantava chorando outra vez.
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